A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) afirmou, em nota divulgada nesta quinta-feira (14), que somente um acordo direto entre Brasil e Estados Unidos poderá conter os efeitos da tarifa imposta pelo governo norte-americano sobre produtos madeireiros brasileiros.
Para a entidade, o pacote de medidas de apoio às exportadoras anunciado pelo governo federal representa “alívio temporário” e não resolve a perda de competitividade provocada pela alíquota de 50% aplicada pelos EUA desde 9 de julho.
Negociação ainda não avançou
A Abimci cobra atuação diplomática do governo brasileiro para “adequar as taxas a níveis comercialmente viáveis”. Segundo a associação, países que também foram taxados conseguiram reduzir tarifas após tratativas bilaterais, enquanto o Brasil não apresentou iniciativas concretas antes ou depois da confirmação da sobretaxa.
A nota não menciona a condição estabelecida pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que vinculou a redução da alíquota à interrupção do que considera perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Paradas de produção e demissões
Com contratos cancelados e mercados suspensos, empresas relatam fábricas ociosas e falta de espaço para estocar mercadorias. A Millpar, fabricante de guarnições e molduras, concedeu 15 dias de férias coletivas a 640 funcionários em Guarapuava (PR) em julho. A Sudati, produtora de compensados e MDF também no Paraná, demitiu 100 trabalhadores no fim do mês passado.
Dependência do mercado norte-americano
De acordo com a Abimci, buscar novos destinos comerciais é inviável no curto prazo por questões técnicas dos produtos e pela fatia do mercado conquistada nos Estados Unidos ao longo de décadas. O setor destinou US$ 1,6 bilhão em exportações ao país em 2024, o equivalente a cerca de 50% de toda a produção brasileira.
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Alguns segmentos dependem exclusivamente do mercado norte-americano, com 100% das vendas direcionadas aos EUA. A associação calcula que a manutenção da tarifa coloca em risco aproximadamente 180 mil empregos diretos em todo o Brasil.
“Ou o governo age com máxima urgência, adotando negociações técnicas e livres de viés político e ideológico, ou assistiremos ao desaparecimento de cadeias produtivas consolidadas”, conclui a nota.
Com informações de Canal Rural
