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Demanda crescente por carne de jacaré estimula criação comercial e movimenta frigoríficos no país

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A procura pela carne de jacaré vem ganhando espaço em supermercados e churrascarias brasileiras, abrindo novas oportunidades de renda para produtores. Hoje, apenas dois abatedouros possuem Serviço de Inspeção Federal (SIF): um em Mato Grosso do Sul e outro em São Paulo. A unidade paulista, habilitada há menos de um ano, pretende exportar quando houver oferta maior de animais de criadores independentes, já que, por enquanto, todo o volume segue para o mercado interno.

Produção e comercialização

Nos frigoríficos, cada jacaré fornece entre 3 kg e 8 kg de carne branca, magra e com baixo teor de colesterol. Os cortes a vácuo de 400 g são vendidos ao varejo entre R$ 40 e R$ 75. Cauda e lombo viram filés; pescoço e patas, iscas; costela e coxa, cortes com osso. Língua e coração entram em receitas, enquanto outras partes são processadas em linguiças e hambúrgueres.

Além da carne, subprodutos elevam a rentabilidade: a pele pode alcançar R$ 500 em curtumes, dentes são usados em colares, a cabeça vira peça de artesanato e ossos, vísceras e aparas entram na formulação de ração. A gordura serve tanto para embutidos quanto para a indústria de cosméticos.

Legalização e espécies recomendadas

O primeiro passo para abrir um criatório é obter registro nos órgãos ambientais locais e contratar responsável técnico. Das seis espécies brasileiras, três se adaptam melhor ao cativeiro: jacaré-açú (Melanosuchus niger), que ultrapassa 5 m; jacaré-do-pantanal (Caiman yacare) e jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris), ambos entre 2 m e 3 m.

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Ambiente de criação

Por serem semiaquáticos, os recintos devem combinar área seca e piscina. Estufas plásticas mantêm temperatura média de 30 °C e umidade entre 90 % e 95 %, acelerando o crescimento. Cada baia precisa de 0,3 m² por animal, com muretas ou telas de 1,5 m de altura e piso de concreto liso. A piscina, com 60 cm a 80 cm de profundidade, ocupa de 50 % a 60 % do espaço e tem fundo inclinado até o ralo para facilitar a limpeza.

Alimentação

Em cativeiro, a dieta baseia-se em proteína de frango moída com vísceras. Na fase de crescimento, o jacaré consome 1 % do peso vivo seis vezes por semana; adulto, alimenta-se uma vez por semana com quantidade equivalente a 7 % do peso.

Reprodução

O acasalamento ocorre no fim da primavera e dura cerca de 15 dias. Cada fêmea põe de 30 a 50 ovos, que são acomodados sobre vermiculita úmida. Durante a incubação, a temperatura define o sexo: 28 °C a 29 °C ou 33 °C a 34 °C produzem machos; 30 °C a 32 °C, fêmeas. Os filhotes nascem com 20 cm, passam 24 h em água limpa e seguem para baias de crescimento, onde permanecem por dois anos até atingirem mais de 10 kg, peso mínimo de abate.

Investimento e retorno

Recomenda-se iniciar com 15 a 20 casais, preferencialmente adultos jovens, avaliados em torno de R$ 2.500 cada. Após dois anos de engorda, os animais alcançam o ponto de abate e começam a gerar receita. As fêmeas produzem, em média, 25 ovos por ciclo reprodutivo, garantindo reposição e expansão do plantel.

Com protocolos de manejo seguros, ambiente controlado e mercado consumidor em expansão, a criação comercial de jacarés se apresenta como alternativa rentável para produtores brasileiros.

Com informações de Globo Rural

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