A produção de cana-de-açúcar no Nordeste deve registrar retração de aproximadamente 5% no ciclo 2025/26, em comparação com a temporada anterior, quando foram processadas pouco mais de 57 milhões de toneladas.
O dado foi apresentado durante reunião da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura, realizada nesta semana. Segundo o presidente do colegiado e da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), Pedro Campos Neto, a expectativa é de que Pernambuco repita o volume colhido no ciclo passado, enquanto Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte tendem a produzir menos.
Campos Neto atribuiu a queda principalmente ao longo período de estiagem que atingiu parte da região. “Mesmo com a volta das chuvas, o tempo prolongado sem precipitações regulares comprometeu a produção, sobretudo na Paraíba e no Rio Grande do Norte, onde a qualidade do solo difere da encontrada em Pernambuco e Alagoas”, explicou.
A moagem da cana no Nordeste deve começar a partir de agosto. A projeção de redução de 5% considera a soma das lavouras dos principais estados produtores.
Debate sobre tarifas e mercado de etanol
Durante o encontro, representantes do setor também discutiram os impactos do recente aumento de tarifas sobre o açúcar destinado a mercados sem cotas, como o dos Estados Unidos. De acordo com Campos Neto, a taxação pode chegar a 100% por tonelada fora da cota, mas o efeito não deverá ser expressivo para o segmento que opera com preços fixos.
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Quanto ao avanço do etanol de milho no país, o presidente da Unida descartou qualquer rivalidade com a produção a partir da cana. “Quem produz etanol de cana vê o etanol de milho como parceiro. Precisamos buscar novos mercados, pleitear o aumento da mistura de etanol na gasolina de 30% para 35% e explorar o mercado de combustível marítimo”, afirmou.
Ele ressaltou que a cooperação entre as duas cadeias pode favorecer a expansão da oferta de biocombustíveis no Brasil.
Com informações de Globo Rural
